Bons livros e brinquedos para eles e elas

Roberta Bencini

Os livros escolhidos para serem trabalhados em classe, assim como os tipos de brinquedo e a forma como são oferecidos, podem ter grande influência na formação da identidade de meninos e meninas. A maioria dos livros didáticos hoje é mais criteriosa em relação aos gêneros.
As meninas já se vêem esportistas, engenheiras, médicas e empresárias. Além disso, muitas histórias infantis já fogem dos estereótipos presentes nos contos de fada. Nem sempre foi assim.
Em edições antigas de livros didáticos e de literatura, é possível ver ilustrações mostrando mulheres cuidando dos filhos e ocupadas com os afazeres domésticos. Aos homens eram reservados os espaços públicos.
Os meninos sempre foram apresentados em movimento, ativos, praticando esportes ou fazendo experimentos científicos e contas matemáticas. “A mensagem subliminar dessas imagens é que os homens são inteligentes e as mulheres, no máximo, esforçadas”, explica Ana Maria Niemeyer.
No que se refere aos brinquedos, cabe à escola jamais separar os cantinhos por sexo. Carrinhos, caminhões, espadas, aviões, barcos, panelas, fantasias, pratos, copos e eletrodomésticos devem estar juntos e à disposição de todos, assim como as bonecas – que também são coisas de menino! Elas, porém, são um caso à parte. Além de remeterem ao conceito de maternidade, há as que reproduzem o de beleza-padrão, como a Barbie – que não se encaixa no modelo de boneca-bebê, mas continua limitando e condicionando a identidade feminina.
É preciso ser bela (leia-se alta e magra) para ser aceita e desejada pelo sexo oposto. Pesquisadores americanos estudaram como as garotas gostariam que fossem seu corpo. As descrições eram quase as mesmas: 1,80 metro, cerca de 45 quilos e cabelos longos, lisos e loiros. Pesquisadores chamaram essa descrição de “uma manifestação viva de uma boneca Barbie”. Por isso, o ideal é oferecer à turma diferentes modelos de bonecas, que contemplem diferentes características físicas e étnicas e papéis sociais.
“O respeito entre as crianças está presente na liberdade e autonomia para escolher brinquedos e brincadeiras sem cobranças quanto a um papel sexual predeterminado”, afirma Silvia Prandini, coordenadora pedagógica da Escola Trilhas.

*Revista Nova Escola – Junho/Julho 2007